Alcione

Marrom

Alcione Dias Nazareth nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 21 de novembro de 1947. O nome de batismo foi ideia do pai, inspirado na personagem Alcíone, a protagonista do romance espírita Renúncia, psicografado por Chico Xavier. Ela é a quarta dos nove irmãos: Wilson, João Carlos, Ubiratan, Alcione, Ribamar, Jofel, Ivone, Maria Helena e Solange. Alcione tem mais nove irmãos que seu pai teve com outras mulheres. Sua mãe chegou a amamentar algumas dessas crianças, por considerar que as crianças não poderiam ser culpadas pelas traições do marido.

Alcione, 1970. Arquivo Nacional.

Desde pequena, graças ao pai policial e integrante da banda de sua corporação, João Carlos Dias Nazareth, inserida no meio musical maranhense, Alcione fez sua primeira apresentação já aos doze anos. O pai foi mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão e professor de música. Além disso, foi compositor e entusiasta do bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense. Foi ele quem lhe ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o trompete e clarinete que começou a praticar aos nove anos.

Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares, e na Queimação de Palhinha da festa do Divino Espírito Santo. Sua mãe, Filipa Teles Rodrigues, entretanto, guardava o desejo de que a filha aprendesse a tocar acordeão ou piano. Não queria que Alcione aprendesse a tocar instrumentos de sopro temendo que a filha ficasse tuberculosa, crendice comum à época.

Sua primeira apresentação profissional foi aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida por seu pai. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco, sendo substituído pela menina. Na ocasião, cantou a canção “Pombinha Branca” e o fado “Ai, Mouraria”.

Alcione afirmou que seu pai era “bom homem” e incentivava as filhas a serem independentes desde muito cedo, a nunca obedecerem homem nenhum, além de lhes ensinar valores morais rígidos. Aos 18 anos de idade formou-se como professora primária na Escola de Curso Normal. Lecionou por dois anos, quando foi demitida aos 20 anos, por ensinar a seus alunos como se tocava trompete, que seu pai lhe ensinou quando pequena, querendo passar o aprendizado que recebeu, mas isso não agradou a direção da escola, que na época era muito rígida.

Após a demissão, continuou a dedicar-se à música, e dessa vez de forma mais intensa e exclusiva. Conseguiu uma vaga em um sorteio e apresentou-se na TV do Maranhão. Ficou fixa na TV, apresentando-se lá nos anos 1960 até o início dos anos 1970 e além de cantar na TV, também cantava em bares e boates em várias cidades do Maranhão. Querendo alcançar rumos maiores, Alcione mudou-se para o Rio de Janeiro em 1972.

Não conhecia nada no Rio e quem a ajudou a se estabelecer foi seu amigo, o cantor Everaldo. Com ajuda dele também, Alcione começou cantando na noite, ocasião em que Everardo lhe apresentou as boates e bares da cidade. Ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana. Cantou também em boates como Barroco, Bacarat, Holiday e Bolero.

Começou a se inscrever em programas de calouros, e foi sendo chamada para se apresentar. Venceu as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti. Nessa mesma época, conheceu a famosa TV Excelsior. Se inscreveu e conseguiu fazer um teste de voz, e passou com boa colocação. Assinou o primeiro contrato profissional com essa TV, apresentando-se no programa Sendas do Sucesso.

Depois de seis meses na emissora, realizou turnê por quatro meses pela América Latina, sendo a primeira vez que saiu do Brasil. Após ter feito excursão também por países da América do Sul, recebeu proposta de turnê na Itália, e assim morou na Europa por dois anos. Voltou ao Brasil em 1972.

Em 2007 Alcione interpretou a cantora americana Lady Brown, na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, na Rede Globo.

Em 2015, canta “Juízo Final” na abertura da novela da Rede Globo, A Regra do Jogo

A Marrom, apelido que ganhou desde o início de sua carreira artística, detém um glorioso currículo que inclui os principais palcos do Brasil e do mundo, já tendo cantado em mais de 30 países.

Só para dar uma pincelada na trajetória da artista e demonstrar sua importância na divulgação da música brasileira no exterior, seguem alguns destaques: Cantou em 13 teatros no Japão, entre eles o Pit Inn e o Nakanu Plaza Hotel; Festival de Montreux e Jam Session de Montreux, na Suíca; Em Portugal, nos teatros Capitólio, Coliseu e Tivolli, em Lisboa, Coliseu e Sal da Beira, no Porto, além, da Universidade de Coimbra e no Cassino de Estoril; Festival Domenica Romana na Itália e o FEM 6 em Köln, na Alemanha; 7ª Bienal do Brasil em Lyon, na França, na casa de espetáculos Ballroom e no Town Hall Theatre em Nova York, onde também cantou no Brazilian Day de 2009; No ginásio Dinamo em Moscou e mais 12 teatros da antiga União Soviética, somando um total de 26 apresentações por quatro Repúblicas – hoje países -Rússia, Estônia, Lituânia e Ucrânia. Todas a convite do Ministério da Cultura da URSS; Duas apresentações em Tel Aviv; Representou o Brasil em especial para a Televisa no México; Diversas apresentações na Argentina, Chile, Uruguai, Angola, Cabo Verde e Moçambique!

Alcione, uma incontestável precursora, fundou a escola de samba mirim da Mangueira (Grêmio Recreativo Cultural Mangueira do Amanhã, da qual é Presidente de Honra), o Centro de Arte da Mangueira – Mangueirarte e o Centro de Apoio. Fundou também, ao lado de João Nogueira, Clara Nunes, Martinho da Vila, Dona Ivone Lara e tantos outros sambistas, o Clube do Samba, na década de 80. Por sua imensa contribuição ao universo do samba, já foi enredo de escolas de samba nas cidades do Rio de Janeiro, São Luís, Juíz de Fora e Niterói, a exemplo de “Marrom da Cor do Samba”, tema da Unidos da Ponte em 1994, quando ainda fazia parte do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A artista, em seus incontáveis momentos de glória, já passou por experiências tão marcantes e glorificantes, como a de ser escolhida para comandar durante dois anos, o programa Alerta Geral, em horário nobre da Rede Globo, sob a direção do saudoso Augusto César Vanucci, onde cantou com todas as grandes personalidades da nossa música, como: Cartola, Baden Powell, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Nelson Cavaquinho, Dorival Caymmi, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Marlene, Emilinha Borba e tantos outros. E a emoção maior de apresentar-se para mais de 500 mil pessoas no Maranhão, quando foi convidada pela Paróquia de São Luís para saudar o sumo pontífice com músicas como João de Deus para a visita do Papa João Paulo II ao Brasil, no início da década de 90.

Aplaudida e admirada por uma biografia impecável, a Marrom impõe credibilidade. Talvez por isso, a cantora tenha despertado a atenção de empresas e marcas que sonhavam em ter o seu aval em produtos, eventos, realizações. Muito requisitada para campanhas publicitárias, sua escolha como uma das titulares da turnê “Nívea Viva O Samba”, foi apenas mais uma comprovação do prestígio e da empatia popular causada por seu nome.
Com uma carreira sólida e contemplada com um número incontável de hits, como: Não Deixe O Samba Morrer, Sufoco, Gostoso Veneno, Menino Sem Juízo, Nem Morta, Garoto Maroto, Estranha Loucura, Meu Vício é Você, Ou Ela Ou Eu, Além da Cama, A Loba, Mulher Ideal, Você Me Vira a Cabeça e Meu Ébano, a intérprete jamais abdicou de enfrentar desafios. Recentemente fez um espetáculo – elogiadíssimo – no projeto “Inusitado”, na Cidade das Artes, interpretando apenas canções em francês. Também em 2015, pela primeira vez apresentou-se no Rock In Rio durante um show em homenagem à Cidade Maravilhosa. Apesar de estar no templo do rock, sua performance conquistou um público que fora assistir as estrelas do gênero. De quebra, recebeu elogios da crítica especializada. Novidades e ineditismos, conforme evidenciadas, são marcas indeléveis no caminho desta cantora sempre pronta a alcançar vôos cada vez mais altos.

Mais uma bela e inédita conquista do finalzinho de 2015, foi a inserção da música “Juízo Final” de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, na abertura de “A Regra do Jogo”. Alcione, com sua voz, já participar de mais de vinte trilhas sonoras de novelas. Outra grande novidade recente é o lançamento da sua própria linha de esmaltes em parceria com a Desiré Cosméticos!

Artista amada por plateias de todos os quadrantes, faixas etárias, classes sociais e intelectuais, Alcione já eternizou seu nome em muitas páginas da história da nossa melhor música popular. Sua obra, eclética e desvirtuada de preconceitos musicais encontra uma indefectível conexão com o povo (ela tem orgulho danado de ser uma cantora popular!).
Paralelamente, o público, que evidencia essa espécie de culto à grande personalidade maranhense, também vem conhecendo um outro lado da artista: o beneficente. Suas preocupações com o bem-estar social a levaram a engajar-se em campanhas e eventos, ações solidárias. Sem alardes, propósito de divulgação, projeção de seu nome, músicas ou carreira artística.

Carnaval

Alcione visitou a quadra da Mangueira pela primeira vez em 1974 e logo foi convidada a desfilar. Na concentração, a ausência de um destaque levou a bela estreante ao alto de um carro alegórico. Desde então, a cantora é membro destacado da escola. Em 1987, participou da fundação da escola de samba mirim Mangueira do Amanhã, e hoje é presidente de honra do grupo.

Em 1989 foi homenageada pela escola de samba Independentes de Cordovil, no então chamado grupo 2, a segunda divisão do Carnaval carioca, com o enredo “Marrom som Brasil”. Posteriormente, em 1994 foi novamente homenageada pela tradicional Unidos da Ponte, desta vez no grupo especial do Carnaval carioca, como enredo “Marrom da cor do samba”. Em 2018, a tradicional escola de samba Mocidade Alegre (SP), homenageou os 70 anos de vida e os 45 anos de carreira de Alcione, com o enredo “A voz marrom que não deixa o samba morrer”.

Alcione já interpretou sambas de exaltação às escolas de samba: Estação Primeira de Mangueira, Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha do Governador, Beija-flor de Nilópolis e Portela.

Vida pessoal

Alcione nunca se casou oficialmente, apenas manteve relacionamentos estáveis. Em entrevistas afirmou que não quer mais dividir a mesma casa com um companheiro, informando que até os dias atuais ainda namora e sai com os homens que lhe despertam interesse. Ao decidir ter um filho, descobriu que não poderia ser mãe devido a endometriose e a SOP. Tentou tratamentos laboratoriais, como inseminação, além de operações espirituais, mas não obteve êxito em nenhuma tentativa.

Devido a um tumor na laringe, desenvolveu uma paralisia nas cordas vocais, e a medicina informou que só poderia cantar por mais um ano. Para tentar reverter o quadro, operou espiritualmente em um centro kardecista com Dr. Fritz, uma entidade espiritual. Após operar-se, seguiu o ritual, e ficou calada por três dias. Surpreendendo os médicos, Alcione se curou e pôde continuar a cantar sem restrições, como sempre fez. A partir deste milagre, parou de consumir álcool e devido a cura de sua garganta, converteu-se ao espiritismo. Em entrevistas revelou ter sido criada no catolicismo e que nunca fumou, e que nunca pensou em mudar de religião até obter seu milagre de cura.

Em entrevistas informou que todos os dias ora agradecendo a Deus pelo dom de cantar, já que nunca fez aula de canto.

Discografia

  • A Voz do Samba (1975)
  • Morte de Um Poeta (1976)
  • Pra Que Chorar (1977)
  • Alerta Geral (1978)
  • Gostoso Veneno (1979)
  • E Vamos à Luta (1980)
  • Alcione (1981)
  • Dez Anos Depois (1982)
  • Vamos arrepiar (1982)
  • Almas e Corações (1983)
  • Da cor do Brasil (1984)
  • Fogo da vida (1985)
  • Fruto e raiz (1986)
  • Nosso nome: resistência (1987)
  • Ouro & Cobre (1988) (Ouro)
  • Simplesmente Marrom (1989)
  • Emoções Reais (1990)
  • Promessa (1991)
  • Pulsa, coração (1992)
  • Brasil de Oliveira da Silva do Samba (1994)
  • Profissão: Cantora (1995)
  • Tempo de Guarnicê (1996)
  • Celebração (1998)
  • Claridade (1999)
  • Nos Bares da Vida (2000) – ao vivo
  • A Paixão tem Memória (2001)
  • Alcione – Duetos(2004)
  • Faz Uma Loucura por Mim (2004)
  • Faz Uma Loucura por Mim – Ao Vivo (2005)
  • Alcione e Amigos (2005)
  • Uma Nova Paixão (2005)
  • Uma Nova Paixão – Ao Vivo (2006)
  • De Tudo Que eu Gosto (2007)
  • Acesa (2009)
  • Duas Faces – Jam Session (2011) – ao vivo
  • Eterna Alegria (2013)
  • Eterna Alegria – Ao Vivo (2014)
  • Grandes encontros- Ao vivo (2015)
  • Boleros- Ao vivo (2017)

Filmografia

Ano Título Papel Emissora
1997 Por Amor Ela mesma Rede Globo
2007 Amazônia, de Galvez a Chico Mendes Lady Brown
2011 Zorra Total Ela mesma
2012 Cheias de Charme
2013 Salve Jorge
2015 Mister Brau Tia Marizilda
2017 A Força do Querer Ela mesma

Prêmios e indicações

Grammy Latino

Ano Categoria Indicação Resultado
2000 Melhor Álbum de Samba/Pagode Claridade Indicado
2003 Ao Vivo Venceu
2006 Uma Nova Paixão – Ao Vivo Indicado
2010 Acesa Indicado
2012 Duas Faces: Ao Vivo na Mangueira Indicado
2015 Eterna Alegria – Ao Vivo Indicado

Prêmio da Música Brasileira

Ano Categoria Indicação Resultado
2015 Melhor Cantora de Samba Alcione Venceu

Prêmio Contigo! MPB FM

Ano Categoria Indicação Resultado
2012 Melhor Álbum de Samba Duas Faces: Ao Vivo na Mangueira Indicado
Melhor Cantora Alcione Indicado
2013 Melhor Álbum de Samba Eterna Alegria Indicado
Melhor Cantora Alcione Indicado
2014 Indicado

Troféu Imprensa

Ano Categoria Indicação Resultado
2003 Melhor Cantora Alcione Indicado

 

Site Oficial: www.alcioneamarrom.com.br

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Paulistano, Corintiano, casado, pai de dois filhos e um apaixonado pela cultura do Samba.

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