Nelson Sargento

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Nelson Sargento (Rio de Janeiro, 25 de julho de 1924 – Rio de Janeiro, 27 de maio de 2021), nome artístico de Nelson Mattos, foi um compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor brasileiro.

Era baluarte e presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira. Sua trajetória na música, na literatura e nas artes são suficientes para vários carnavais. Em homenagem aos 90 anos do sambista, o Portal EBC preparou uma matéria especial com entrevistas e vídeos exclusivos.

O Sargento, do autor do samba Agoniza mas não morre (de 1979), corresponde, na verdade, à mais alta graduação que o cidadão Nélson Mattos atingiu quando serviu ao Exército brasileiro. Viveu durante longos anos nos morros da cidade do Rio de Janeiro. Viveu na Tijuca e é considerado cidadão do mundo, já que sua música é conhecida, pelo menos, nas Américas e no Japão. Era casado com Evonete Belizario Mattos. Teve seis filhos biológicos e três adotivos, além de ter criado vários filhos e filhas do coração. Era empresariado e agenciado, com exclusividade, pela produtora Conexão Social Produções, que tem como sócios seu filho caçula Ronaldo Mattos e sua nora Lívea Mattos. O compositor mangueirense possui, aproximadamente, quatrocentas músicas em seu repertório. Mudou-se do Morro do Salgueiro para o Morro da Mangueira aos 12 anos de idade. Nelson Sargento militava pelo samba desde os anos 1950, quando o gênero era marginalizado.

Biografia

Em 2019 Nelson Sargento se apresentou na Concha Acústica junto com Criolo e a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas.

Nasceu em 25 de julho de 1924, na Santa Casa da Misericórdia, na Praça XV, filho de Rosa Maria da Conceição e Olímpio José de Mattos. Rosa Maria era empregada doméstica e cozinheira. Trabalhava e morava com Nelson na Tijuca, na casa do comerciante Manoel Ferreira Dias que era atacadista de secos e molhados, na Rua do Acre, no Centro. Seu pai, cozinheiro de profissão, trabalhava no Armazém Dragão. Nelson conviveu pouco com o pai. Encontravam-se esporadicamente, pois quando o conheceu, ele não morava mais com sua mãe. Olímpio morreu de gangrena, depois de um acidente na cozinha de um restaurante; uma panela de água quente caiu em seu pé e, não sendo tratado, acabou falecendo.

Sua mãe saiu do emprego da casa dos Ferreira Dias, indo morar no morro do Salgueiro, em um barraco alugado. Para se sustentar ela passou a lavar a roupa de várias famílias. Nelson entregava as roupas lavadas no bairro da Tijuca. Foi lá no morro do Salgueiro que Nelson, então com dez anos de idade, tomou conhecimento do samba, desfilando e tocando tamborim na escola “Azul e Branco”. Ali havia ainda outras duas escolas: a “Unidos do Salgueiro” e a “Depois eu Digo”. José Casemiro, (conhecido como Calça Larga), uma liderança no morro, uniu todas elas, nascendo assim o Acadêmicos do Salgueiro.

Sua mãe morava com um senhor de idade avançada, chamado Arthur Pequeno, que trabalhava como tecelãoda fábrica de Tecidos Bom Pastor e era grande amigo de Alfredo Português, importante compositor da GRES Estação Primeira de Mangueira. Com o falecimento do companheiro, Rosa Maria teve muitas dificuldades para se manter com Nelson no Morro do Salgueiro. Alfredo Português convidou-a para morarem com ele em sua casa na Mangueira. Ele morava numa parte do morro conhecida como Santo Antônio. Alfredo Português era empreiteiro da construção civil e um excelente letrista. Era uma figura diferente naquele universo, um português que compunha sambas.

Nelson despontou para a música na adolescência, quando Alfredo Português descobriu o talento que surgia no jovem. Compuseram, em 1955, o samba-enredo “Primavera“, também chamado de As quatro estações do ano, considerado um dos mais belos de todos os tempos.

Nélson integrou o conjunto A Voz do Morro, ao lado de Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho. Entre seus parceiros de composição musical, estão Cartola, Carlos Cachaça, Darcy da Mangueira, João de Aquino, Pedro Amorim, Daniel Gonzaga e Rô Fonseca.

Escreveu os livros “Prisioneiro do Mundo” e “Um certo Geraldo Pereira”. Atuou nos filmes “O Primeiro Dia”, de Walter Salles e Daniela Thomas, “Orfeu” de Cacá Diegues, e “Nélson Sargento da Mangueira” de Estêvão Pantoja, que lhe valeu a premiação do Kikito, no Festival de Gramado, pela melhor trilha sonora entre os filmes de curta metragem.

É um ilustre torcedor do Vasco da Gama, tendo participado do Megashow comemorativo dos 113 anos do clube, onde apresentou sua música “Casaca, Casaca”, exaltando seu amor pelo Vasco.

Em 2017 teve seu show Nelson Sargento coM vida eleito, com o acompanhamento do Grupo Reduto e participações de Monarco, Criolo, Diogo Nogueira, Sandra de Sá, Denegrindo e Alcione, por votação popular, segundo o Guia Folha de S.Paulo, como o melhor show nacional de 2017. Em 2018, o show Nelson Sargento coM vida, aconteceu no Teatro da UFF, em Niterói, com acompanhamento do Coletivo Sindicato do Samba e participações de Áurea Martins e Edil Pacheco. No Rio de Janeiro, tem acontecido na Sala Baden Powell, com acompanhamento do Coletivo Sindicato do Samba, já teve a participação da soprano Anatasha Meckenna e no dia 3 de outubro, contará com as participações da baluarte do samba Geovana e da cantora e compositora Priscila Tossan.

Em 2017 com a realização da Fundação Cesgranrio foi o anfitrião do Projeto Griôs da Cultura Popular Brasileira , do qual participaram os griôs Monarco, Rubem Confete, Tantinho da Mangueira e Tia Maria do Jongo. O projeto consistiu no encontro em uma roda de diálogo, dos griôs com crianças e jovens da Favela da Mangueira. Em 2018 o projeto continua com a realização da Fundação Cesgranrio, na Casa do Jongo, na Serrinha.

Em janeiro de 2018, lançou um canal no Youtube.

Morte

Nelson Sargento foi vacinado contra Covid no dia 31 de janeiro, em uma cerimônia no Palácio da Cidade, na qual o prefeito Eduardo Paes deu início à campanha de vacinação para a terceira idade no Rio. Ao lado dele, estavam outros quatro idosos, entre eles o ator Orlando Drummond, de 101 anos. Mesmo tendo recebido as duas doses do imunizante, Nelson Sargento foi infectado.

Estava internado no Rio de Janeiro desde o dia 21 de maio, Instituto Nacional de Câncer (INCA), quando o sambista chegou à unidade com quadro de “anorexia e desidratação” e, logo após, testar positivo para Covid-19. Faleceu em 27 de maio de 2021 aos 96 anos de idade, vitimado pela Covid-19. Nelson Mattos era paciente do INCA desde 2005 quando foi diagnosticado e tratado um câncer de próstata.

Ele deixa a mulher, Evonete Belizario Mattos, e os seis filhos biológicos (Fernando, José Geraldo, Marcos, Léo, Ricardo e Ronaldo), além de Rosemere, Rosemar e Rosana, que adotou.

Sua morte repercutiu no mundo artístico e político. A Estação Primeira de Mangueira lamentou a partida de seu baluarte e presidente de honra, “A semente plantada por ele rendeu frutos que estarão eternizados junto à certeza de que ‘O samba agoniza, mas não morre’ jamais”, afirmou em nota. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, escreveu: “Queríamos nós que Seu Nelson fosse imortal como o samba que ele tanto amava. Mas ninguém é”. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou que o samba e o Rio perdem um de seus ícones. Políticos como o ex-predidente Lula, os deputados Marcelo Freixo, Benedita da Silva, Luiza Erundina, Talíria Petrone, o senador Randolfe Rodrigues e Ciro Gomes lamentaram a morte do sambista.[8] Jornalistas e intelectuais como Chico Pinheiro, Flávia Oliveira, Luiz Antônio Simas, Leandro Vieira, Boninho, Mariana Gross e artistas, dentre eles, Alcione, Gilberto Gil, Zélia Duncan, Marcelo D2, Leci Brandão, Elza Soares compartilharam homenagens ao legado de Nelson Sargento.

O Vasco da Gama, time do coração de Nelson, lamentou sua partida. “É com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de um dos grandes nomes da história do samba e um grande amigo do Vasco, Nelson Sargento”, redigiu em nota. O Flamengo, Fluminense e Botafogocompartilharam homenagens em suas redes sociais.

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