Zé Espinguela

José Gomes da Costa também chamado Zé Spinelli e Zé Espinguela (Rio de Janeiro, c. 1890 – Rio de Janeiro, 1945), foi um jornalista, escritor, pai-de-santo e sambista carioca, integrante do Bloco dos Arengueiros, fundador da Estação Primeira de Mangueira e organizador de um concurso entre sambistas em 20 de janeiro de 1929, que fixaria as bases das disputas entre escolas de samba.  O concurso aconteceu em sua casa, na Rua Adolpho Bergamini, a mesma onde hoje fica a escola Arranco, no Engenho de Dentro.

Apesar de ser mangueirense, Zé Espinguela atuou de forma imparcial como juiz do concurso, premiando o Conjunto Oswaldo Cruz, atual Portela. Por ironia, o grupo que é considerado a primeira escola de samba, o Deixa Falar, acabou eliminado por Espinguela, por apresentar instrumentos de sopro, proibidos por serem considerados avessos ao samba moderno, que eles próprios estavam promovendo.

Amigo de Villa-Lobos, Zé Espinguela foi uma figura de suma importância para o samba.

Nos anos finais da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Zé Espinguela, que devia estar se aproximando dos sessenta anos, sentiu aproximar-se o fim da existência. Segundo Arthur de Oliveira, ele “reuniu os adeptos do centro religioso e dirigiu-se ao morro da Mangueira para despedir-se do seu reduto preferido. Lá chegaram no princípio da noite. A favela, de luzes apagadas, descansava da trabalheira do dia. Eis que surge o grupo, em cortejo pelos becos e ruelas, cantando um samba que Espinguela compôs especialmente para o momento. Era como um samba-enredo. Desfilavam, dançavam e cantavam, com o ritmo alegre, a melodia triste, e as vozes alvissareiras das pastoras. Os barracos aos poucos se acenderam. Os negros foram abrindo as janelas e o morro transformou-se num céu no chão, iluminado, silencioso e reverente. A voz de Espinguela dominava o coro: a favela compartilhava da cerimônia do passamento do seu sambista com aquela vivência afro-brasileira da morte, presente nos gurufins e tão diversa do sentimento judaico-cristão das classes dominantes”.

Imagine você compor um samba de despedida da vida e anunciar a própria morte para tanta gente. Subindo o Morro da Mangueira, um dos fundadores da escola de samba fez exatamente isso, em 1944. “Ele acordou o morro todo praticamente anunciando que ele iria falecer. Ele fez essa música só para isso. Ele morreu dois dias depois”, conta Raymundo de Castro, baluarte da Mangueira.
Mas Zé Espinguela foi muito mais do que uma das raízes dessa mangueira. Um dos filhos dele conta que a casa era sempre uma festa. Vinham sambistas e artistas como Villa Lobos. Mas, com medo da mulher, Zé Espinguela não falava muito da escola. “Ele tinha lá os casos dele na Mangueira e, para falar da Mangueira, ia abrir os olhos da velha. Aí, ia ter problema. Ele era muito discreto, era estivador”, relembra Hilson Gomes da Costa, filho de Zé Espinguela.
Era principalmente sambista e pai-de-santo, uma atividade que influenciava a outra com muita criatividade. O que hoje é um dos maiores espetáculos do mundo começou com uma idéia dele. Algo modesto, de fundo de quintal.
Era no fundo da casa que Zé Espinguela recebia os amigos e onde rolava o samba. Em 1929, ele decidiu fazer um concurso para os compositores do que viriam a ser três grandes escolas de samba: Portela, Mangueira e Estácio de Sá.
Cada escola apresentava dois sambas e Zé Espinguela, apesar de ser mais ligado ao grupo da Mangueira, teve a grandeza de escolher um samba da Portela como o melhor do ano. O samba vencedor tinha um ritmo muito diferente dos sambas enredos atuais. “A única coisa parecida com o de hoje é que deu confusão. Zé Espinguela teve que distribuir troféu para todos porque senão ia sair uma pancadaria”, afirma o compositor Heitor dos Prazeres.
E confusão era uma marca do inicio da história do samba. Problemas com a polícia eram constantes. Zeca Pagodinho até gravou um samba sobre isso. “Eu escutava história desse delegado e a história é que ele era um cara que perseguia sambista, macumba”, disse Zeca Pagodinho.
Hoje, a alegria do samba é um símbolo do Brasil. Zé Espinguela se despediu da vida de maneira original e deixou gravado o nome dele na história do carnaval.

Vídeos de Zé Espinguela

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Fabio Silvahttp://#
Paulistano, Corintiano, casado, pai de dois filhos e um apaixonado pela cultura do Samba.

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